
Foto: Site Oficial Brawn GP
Vamos em pílulas com informações pontuais:
- Sim, o carro dos caras é muito bom. E é bom numa medida que diverte quem aprecia esse esporte (atenção: sobre gostar de F1, eu vou discorrer logo mais), sendo um tapa na cara da concorrência, igual fazia Colin Chapman nos tempos da finada Lotus;
- Ver um time pequeno dando um pau nos grandões de vez em quando é legal. Não há como negar;
- As soluções de engenharia, todas elas dentro do que a lei, entenda-se, o regulamento, permite, servem para mostrar que sim, existe muito de humano na Fórmula 1, e sim, a eletrônica não manda em tudo;
- O carro foi concebido com calma e paciência de relojoeiro, ao longo da temporada de 2008, e enquanto McLaren e Ferrari lutavam até a última curva, da última volta da última corrida, a Honda, que depois virou a Brawn, já tinha desistido do carro de 2008 antes de agosto;
- A luta pelo campeonato de 2008 fez as duas concorrentes trazerem novidades e inovações para Interlagos, na última prova, fazendo com que os esforços ficassem concentrados no carro de 2008 por muito mais tempo do que o normal;
- No período em que não se sabia o que ia acontecer com o espólio da equipe que um dia fora a Honda, o pessoal na sede da equipe, em Brackley na Inglaterra não parou um minuto, informação essa que, se levada em conta ajuda a diminuir o tamanho do susto causado pelo desempenho assombroso de seus carros;
- O carro não é revolucionário, é apenas a demonstração do talento de Ross Brawn , ele não é um mago da pranchetas, mas é um brilhante condutor do time, sendo muito eficiente em fazer um belo projeto virar realidade, virar um carro;
- Se somarmos um projeto bem concebido e construído com o fato de que motor e câmbio são fornecidos pela Mercedes, aquela que fornece para a McLaren, teremos um carro veloz e que quebra muito pouco. Acrescente dois pilotos muito experientes, e velozes, no caso Button e Barrichello, e teremos uma receita vencedora;
Começa a tomar força a teoria de que se ninguém reagir logo, os carros brancos de Ross Brawn podem sim esmagar a concorrência como um rolo-compressor (rolocompressor?).
A tendência natural é que os times de ponta, McLaren, Ferrari, comecem a acertar a mão, pois como expliquei, estão atrasadas no desenvolvimento de seus carros. Que elas alcançarão a Brawn ninguém duvida, o medo de Felipe Massa, e de todo mundo fora da Brawn é que isso aconteça tarde demais, numa altura em que a disputa já esteja muito perto de ser definida.
Seguindo na nossa série sobre as modificações que entram em vigor na temporada de 2009, hoje chegamos ao KERS (quem?).
A sigla em inglês (Kinetic Energy Recovery Systems), ou em bom português - Sistema de Recuperação de Energia Cinética, é uma das alterações mais interessantes trazidas para as pistas em 2009, na minha modesta opinião, e que de certa forma da novo vigor ao pioneirismo tecnológico da Fórmula 1.
Explico: trata-se de um sistema sugerido por Max Mosley nos últimos anos, e que será adotado de forma opcional em 2009 (usa quem quer ou puder), passando a ser obrigatório em 2010.
A proposta de Max era de que a energia dispersada nas violentas frenagens, (quem já viu sabe que os freios ficam incandescentes), na forma de calor, fosse reaproveitada e revertida em potência extra para os carros nas retomadas de velocidade.
O mecanismo em si consiste em absorver o enorme calor gerado pelo atrito das pastilhas com os discos de freio nas frenagens, imagine um carro chegando ao final de uma reta aos 340Km/h, e fazendo uma chicane, como é o caso de Monza, aos mansos 60km/h. Num espaço de poucos segundos os discos de freio são acionados e recebem a enorme carga de atrito necessária para reduzir toda essa velocidade. Como nada se perde e nada se cria, tudo se transforma, a energia cinética (a velocidade do carro), acaba se manifestando de outra forma, no caso energia térmica, e um pouco de energia sonora (sim, os freios fazem um bocado de barulho).
A energia térmica absorvida é transformada em energia elétrica, e armazenada em baterias dentro do carro. E assim o ciclo e fecha quando o piloto tem em cada volta, em razão da energia sempre armazenada nas frenagens, 6 segundos de potência extra no motor, algo em torno de 60 ou 70 cavalos, que são dessa forma reinjetadas no processo como um todo.
E assim, volta após volta, o piloto ao frear para uma curva lenta, armazena energia cinética dispersada na forma de calor, que gera energia elétrica, e empurra o carro um tantinho a mais nas retomadas e nas retas.
O piloto decide então a hora de usar a energia extra, tendo um botão no volante onde pode despejar os cavalinhos a mais. Em uma comparação grosseira, seria algo como o Nitro que pode ser utilizado pelos pilotos da Stock Car.
A diferença é que esse mecanismo reaproveita energia, ao invés de queimar óxido nitroso. Estamos, portanto diante de um sistema que pode trazer enormes benefícios para os carros de rua.
Pense leitor, na energia dispersada quando você freia para um sinal
vermelho, ou para um pedágio. Invariavelmente você terá que arrancar novamente, e assim no futuro poderá usar essa energia perdida e reaproveitada por um sistema como o KERS.
Fantástico não?
Os engenheiros, ou a maioria deles adoraram a idéia, Patrick Head, da Williams foi um dos que afirmou ser estimulante do ponto de vista de um engenheiro, fazer a coisa toda funcionar.
E claro que é. Imagine você receber a incumbência de criar um sistema que ainda não existe, e que precisa funcionar bem, muito bem, pois poderá fazer a diferença entre perder ou não décimos de segundo preciosos em voltas de classificação e corridas.
Os pilotos eu não sei, mas eu adorei.

Para esta temporada, os pneus, vocês devem saber, mudarão. Não veremos mais os compostos com sulcos, aquelas ranhuras na borracha, que vem acompanhando a categoria desde 1998.
Eu achei isso muito bom. Carro de corrida tem que andar com pneu de corrida.
Mas o que muda? Explico: até o final da temporada de 1997, a categoria máxima do automobilismo sempre andou com pneus slicks, lisos, que são, por excelência, os compostos de competição.
Sua superfície lisa, sem qualquer ranhura, permite aderência máxima, dando ao piloto um controle maior do carro. Assim sempre foi, assim sempre deveria ter sido.
Até que no final de 1997, a FIA aprovou um novo pacote, (sempre esses pacotes), e aboliu os slicks, obrigando os fabricantes, na época Bridgestone e Goodyear, a introduzirem os tais sulcos na banda de rodagem dos pneus.
O objetivo era reduzir a velocidade dos carros nas curvas, haja vista que em razão da guerra das duas fabricantes de pneus, que competiam enlouquecidamente pela supremacia de desempenho, os tempos de volta de alguns circuitos chegaram a cair mais de 4 segundos. Temendo pela segurança, a FIA então empurrou tal pacote goela abaixo de todo mundo.
O problema maior foi que em razão da redução desta aderência mecânica (pneus com o asfalto), pela redução da superfície de contato da borracha com o carro, os engenheiros viram-se mais e mais dependentes da aerodinâmica.
A aerodinâmica, (lembram dela, capítulo anterior), então, levada ao extremo do refinamento, e em razão também das imposições do regulamento, deixou os carrinhos muito sensíveis à turbulência, dificultando em muito as ultrapassagens.
Assim, depois de anos de clamor dos pilotos e equipes, volta ao circo o pneu slick, liso, sem nada de ranhuras ou sulcos.

No detalhe o mesmo carro usando pneus slicks (em cima), e sulcados (embaixo).
Este aumento de aderência mecânica, somado à forte diminuição da aderência aerodinâmica (carro preso ao chão pela pressão das asas e asinhas), permitirão, ao menos em tese, com que os carros possam andar mais juntos nas curvas, o que, dizem, facilitará as ultrapassagens.
No nosso próximo capítulo: KERS (quem?).
Com a mudança do regulamento para esta temporada da Fórmula 1, achei que seria legal falarmos aqui do que muda nos carros e nas regras para 2009.
No capítulo de hoje:
Aerodinâmica
Já há uns dois anos os engenheiros daquelas que podemos chamar de três principais equipes, Ferrari, McLaren e Renault se reuniram e criaram o autodenominado Overtaking Working Group - OWG (Grupo de Trabalho das Ultrapassagens), ou algo assim. Estes senhores, percebendo a freqüência cada vez menor de ultrapassagens nas corridas, debruçaram-se sobre as pranchetas para entender melhor o que impedia carros de andarem mais juntos em curvas de alta velocidade.
Concluíram que o problema estava nos aerofólios. Isto porquê as restrições aerodinâmicas de anos anteriores levaram os monopostos a precisarem de um fluxo de ar “limpo” (sem turbulência) tão extremo a ponto de numa disputa por posições o carro de trás sofrer influência tão grande da vibração causada pelo da frente que este era forçado a não andar tão perto, para não correr o risco de perder aderência.
Daí para as tão festejadas ultrapassagem não acontecerem tratava-se de uma decorrência lógica. Se você precisa entrar mais distante do carro da frente numa reta, dificilmente vai alcançar o cidadão para poder ultrapassá-lo antes que esta termine.
Mas e as asinhas esparramadas por todo o carro dos anos anteriores? O quem elas tem com isso?
Simples: na realidade elas são consequência e não a causa. A necessidade de fluxo de ar sem turbulência fez com que os engenheiros fossem com o tempo bolando uma série de dispositivos por toda a carenagem, de modo a ordenar o fluxo de ar a ser “entregue” ao aerofólio traseiro.
O pessoal do OWG percebeu então que a solução eram asas maiores, mas em menor número. Restringiram os apêndices aerodinâmicos, deixando os carros limpos (lembra como são os da Indy e da GP2?), fazendo com que os únicos dispositivos dessa natureza no carro sejam em tese a asa traseira e a dianteira.
Com isso os carros ficaram com um visual muito mais limpo, (tem quem goste, e quem odeie), com o qual teremos agora de nos acostumar.
Os carros, amigos, já apareceram vejam a diferença. Preciso explicar? Na esquerda o carro desse ano, e na direita a BMW do ano passado.
Fotos: Divulgação
Não será nada de outro mundo. Lembram-se dos carros usados até 1993?

E parece que dá certo. Veja na Indy, o pessoal andando 8 voltas num oval lado a lado...
No próximo capítulo: - pneus.
De férias.
O blog tira férias por uma semanas. Até porquê não acontece nada mesmo nesta época do ano, e eu deixo todos vocês também de férias de mim.
Para encerrar a temporada, o vídeo oficial do campeonato de 2008. Sensacional.

Foto: Guilherme Dorneles/Grande Prêmio
Dois brasileiros novatos disputam uma vaga na Honda. O lugar, se nenhum deles se mostrar rápido a contento, ficará com Rubens Barrichello, outro brasileiro (jura?), o que em termos numéricos dará no mesmo, e teríamos assim 3 brasileiros na pista em 2009. Ok.
Um dos novatos é virtualmente desconhecido fora do meio do automobilismo, mas me pareceu fantástico pela temporada disputada em 2008 na GP2. Falo aqui de Lucas di Grassi.
O rapaz correu 6 etapas a menos que os demais concorrentes e ainda assim, terminou o campeonato em terceiro lugar, 1 ponto atrás de outro brasileiro, Bruno Senna.
Enquanto Di Grassi pode contar apenas com sua pilotagem para vencer a disputa, Senna conta com muita força.
Em primeiro lugar o mítico sobrenome, o capacete amarelo, e toda a simpatia que a Honda nutre por estes símbolos.
O sobrenome atrai patrocinadores, o capacete toca ao coração das pessoas, e isso a mídia sabe, e assim me parece já haver um certo carnaval na imprensa, especialmente a brasileira, enaltecendo os resultados de Senna em detrimento do devido destaque à performance de Di Grassi.
Pra ser mais claro: acho que estão dando um destaque exagerado pra performance de Senna e talvez até tentando derreter a credibilidade de Di Grassi de maneira ainda discreta.
Eu não concordo. Torço pra que vença o mais rápido, e até aqui, me parece ter sido o menos famoso pelo histórico.
E o Barrichello? Pois é.
Sentimentos conflitantes me tomam quando penso na trajetória deste piloto.
Durante vários anos foi o único fio entre o Brasil e o mundo da Fórmula 1, dado o período de vacas magras que entramos de Imola-94 em diante.
Muitos vieram e foram, vários brasileiros valentes meteram as caras e ninguém emplacou até aparecer Felipe Massa.
Mas Rubens sempre despertou sentimentos extremos. Ódio de alguns, e defesa cega e surda de outros.
Eu sempre achei que ele era um cara legal. Descobri que ele não era um cara legal. Não o conheci, e não sei se conhecerei, mas soube por um oráculo, de um episódio ocorrido nos bastidores, em que o rapaz deu um chilique, maltratando um profissional da imprensa brasileira.
A verdade é que talvez Barrichello tenha dado um tremendo azar de ter o mundo caindo em sua cabeça depois da morte Dele.
Azar que apareceu de novo quando lhe deram um carro vencedor na mão e ele se deparou com um companheiro do mesmo nível que Ele.
E Rubens nunca fez nada para diminuir as cobranças que sofria. Ao contrário, sempre cavou mais e mais, aumentando as expectativas, e sempre se enterrando mais e mais em resultados modestos para o tamanho da expectativa que gerava.
A televisão oficial tem sua parcela de culpa nisso. Afinal eles precisavam vender anúncios, precisavam manter o negócio em pé, e pra isso precisavam despertar o sentimento de que tínhamos um piloto disputando o campeonato. O que sempre se revelou um falso panorama.
Mas Barrichello, como um devedor que faz um empréstimo para pagar uma dívida antiga, sempre manteve o discurso, e quando saiu da Ferrari, começou a falar em disputar o campeonato.
Burrice. O considero o melhor piloto não-campeão desde muito tempo. É só comparar. Irvine, Coulthard, Fisichella, Patrese, Berger, Alesi, e Kovalainen, para citar os que me vieram à cabeça agora, são todos uns nanicos perto dos resultados deste cara, mas nenhum deles jamais falou tanta bobagem.
Veja o caso de Coulthard. Já fez 10 vezes mais besteira que Rubens, perdeu corridas ganhas, foi alçado a condição de primeiro piloto na McLaren e decepcionou, em 2001, mas nem por isso foi jamais tão cobrado, nem em sua terra natal onde a imprensa é impiedosa.
No meio desta temporada o escocês com pinta de super-herói comunicou que iria se aposentar, e saiu debaixo de aplausos, com festa, e homenagem dos demais pilotos.
Mas Rubens parece ter sempre escolhido o caminho mais difícil, e sempre conseguiu lançar contra si a ira do público, que só quer saber de ouvir Brasil-sil-sil, movido pela televisão oficial.
Em Interlagos nesse ano, cada vez que o vi passando tive um sentimento esquisito, uma certa condescendência, afinal, o cara só quer continuar correndo.
Não é pouco, afinal muita gente nunca teve nem uma temporada nesse esporte totalmente cruel e maravilhoso, e Barrichello já teve 16, mas ainda assim tive um sentimento de simpatia.
Mas essa simpatia acabou. Fiquei sabendo, como muita gente ficou, do papelão ocorrido numa balada aqui em São Paulo, onde o cidadão em questão, numa festa organizada pelo seu ex-time vermelho, de microfone na mão bradou puxando coro – Schumacher, viado!
Lamentável, e ali ficou clara a distância entre Coulthard, que correu em Interlagos sua última corrida com classe, sendo festejado e reconhecido pelo cavalheiro que é, e Rubens, um chorão, que não se conforma com nunca ter tido a chance de mostrar que é tão bom quando sua mãe e seu pai disseram que ele é, e que pagou um preço interminável por achar que um dia poderia suprir a falta que Ele fez no coração do torcedor.
E nessa ciranda, jogou todo o prestígio que poderia ter pelos seus 16 anos de boa performance, lances de brilhantismo e algumas corridas inesquecíveis. Jogou fora o menos por querer o mais.
A falta de assunto no pós-temporada é evidente.
Mas não é que surgiu uma notícia que chegou a me alegrar? Li ontem que a Toro Rosso esteve procurando Montoya para ser seu piloto na próxima temporada.
O colombiano, todos sabem, esta brincando na NASCAR, dirigindo os carros grandes de lá, não confundir com grandes carros, já faz um tempinho, e parece que está gostando da coisa.
Gostando tanto que deu uma imensa banana à divertida equipe de Berger e cia., e disse que não.
Coisas do destino que como diria Veríssimo (o filho), é um gozador.
E o esperado aconteceu: a Renault confirmou Fernando Alonso e Nelson Piquet para a próxima temporada.
Muito se especulou, colocaram Alonso na Ferrari, Honda, Toyota, BMW e até na Red Bull. Piquet foi do céu ao inferno em várias oportunidades durante a temporada também. E no final fica tudo como está.
E eu acho que Fernandinho vem com tudo em 2009. E a Renault também deve melhorar.
Isso serve para por um ponto final nas especulações. A cornetagem oficial talvez pare de por Nelson em cheque por uns tempos, e algumas outras carreiras tomarão rumo.
Lucas di Grassi e Bruno Senna testarão pela Honda nas próximas semanas, e a Toro Rosso ainda tem duas vagas em aberto. É o que sobra.
E ainda tem Barrichello na briga.
Talvez uma forma de acomodar as coisas seria colocar Rubens e um novato, provavelmente Senna. Estaria formado o quadro do experiente e o novato. Mas não sei o que a Toro Rosso pretende fazer com o Sebastião que sobrou, o Bourdais.
E também depois do que eu fiquei sabendo, e talvez muitos de vocês também já saibam sobre Barrichello, talvez ele nem mereça.
Sobre isso falo depois....

Foto: Bruno Terena/Grande Premio
Eu tenho certeza que vocês conhecem corneteiros.
Corneteiros são aqueles que adoram parecer donos da razão, e que falam que o Brasil vendeu a Copa de 1998, que tal time está sendo favorecido, e que ontem o Timo Glock deixou o Hamilton passar, enfim.
Essas pessoas adoram antecipar resultado de jogo, e se a previsão não se confirma, e nunca se confirma, eles somem, na segunda-feira, como hoje, não se encontra um infeliz desses para dar fundos ao “cheque” emitido.
Pois bem. Eu ouvi que o Massa não venceria no Brasil. Eu ouvi que o título já chegaria aqui definido a favor do Hamilton, e mais uma leva de palpites precisos que eu nem pedi para ouvir, e hoje não ouço um pio dos comentaristas argutos que me disseram tais barbaridades baseadas exclusivamente no animus cornetandi.
Pois bem. A Fórmula 1 é uma ciência um pouco mais exata que o futebol, e nela temos a sorte de ter dados para combater determinadas teorias conspiratórias.
Tema em questão: Glock deixou Hamilton (o capeta) passar para tomar o título de Massa (o coitado).
Aos dados: a equipe Toyota optou pela ousada estratégia de não trocar pneus quando voltou a chover, nas voltas finais. Com essa jogada os japoneses pretendiam dar um pulo do gato duplo, com seus dois carros, e recuperar algumas posições. Fizeram isso com o carro de Trulli e de Glock.
Não parando para trocar os calçados, e com gasolina para ir até o fim, pois ele já ia mesmo fazer uma parada só, Glock se manteve na pista e passou Vettel e Hamilton, seus adversários diretos na luta pelo quarto lugar.
A estratégia quase deu certo. Quase porque o alemão da Toyota foi alcançado pelos dois adversários faltando ainda uma freada forte, em que o asfalto estava molhado, e seus pneus eram para piso seco.
Por 700m Glock não levou o quarto lugar. E por estes mesmo 700m Massa perdeu seu campeonato. Cruel mas verdadeiro.
Veja os tempos de voltas dos 4 carros envolvidos no lance nas voltas 69, 70 e 71, a última:
Trulli: 1min 22s428, 1min 33s539 e 1min44s800.
Glock: 1min18s688, 1min28s041 e 1min44s 731.
Tais números comprovam inclusive um dado importante: - além de estar se segurando como podia na pista, Glock estava bem mais rápido que seu companheiro de equipe, com os mesmos pneus lisos no molhado, e também igualmente desgastados.
Já Vettel e Hamilton, com pneus intermediários, andavam bem mais rápido nas mesmas últimas 3 voltas:
Vettel: 1min23s318, 1min25s221 e 1min25s984.
Hamilton: 1min24s612, 1min25s567 e 1min26s126.
Perceberam? Os dois pararam mas com pneus intermediários vinham descontando muito rapidamente a diferença.
Estou dizendo isso pois a falta de humildade do brasileiro médio é assustadora. Sim, foi o que eu disse. Brasileiro é arrogante. Não pode reconhecer que o outro venceu, e sim vai tentar por a culpa num terceiro, que não tem nada a ver com isso, e que quase conseguiu garantir uma colocação melhor na corrida, mas a sua estratégia falhou por menos de meia volta.

Foto: Sergio Sanderson
Como começar? Pela sexta-feira? Talvez. Sexta-feira, Interlagos, tempo nublado e um frio de rachar. Os carrinhos rugindo na pista pela primeira vez. O cenário, lindo, o autódromo impecável, o palco pronto para o último round de uma batalha que começou em março, lá em Melbourne.
Todo mundo na pista, uma boa quantidade de fãs na arquibancada. Fãs, sim, pois quem aparece na sexta-feira, quando não vale muita coisa, é fã, e está lá pelos carros.
Massa andou na frente o dia todo, só sendo superado por Alonso no finalzinho da última hora a meia de treinos livres.
E veio o sábado. Um sol de rachar. E Interlagos mais uma vez comprovou porque é célebre em alternar extremos. E assim foi mais uma vez. No asfalto escaldante, Felipe fez o primeiro tempo, incontestável. Trulli, com sua Toyota veio em segundo, seguido por Raikkonen, o escudeiro de 30 milhões de euros, e Hamilton, o outro cavalheiro em busca da coroa, em quarto. Atrás dele, Kovalainen, o banana em quinto, e Alonso, o toureiro em sexto.
E fomos todos, e nessa lista coloque Hamilton, Massa, Domenicali, Ron Dennis, e até o Lula, dormir com uma pulga atrás da orelha. E se chovesse? E se ventasse? E se o Alonso viesse com tudo? E se o Hamilton fizesse merda?
Ninguém conseguiu pensar na hipótese de uma Toro Rosso, pilotada por um cara que já impressionou todo mundo, Vettel, resolvesse meter o nariz de forma tão abelhuda e sensacional no meio de um duelo que caminhava para um desenlace meio sem sal, murcho.
Murcho porque Massa liderava e Hamilton vinha num cauteloso quarto lugar.
Mas choveu... E quando chove, nem Deus sabe direito o que está acontecendo na pista. Todos foram aos pits, inclusive os dois homens que disputavam o campeonato. Naquele momento ninguém arriscaria, uma equipe estava literalmente marcando a outra.
Se a Ferrari chamasse Massa aos pits, como fez, a McLaren chamaria também seu piloto, pois se os vermelhos apostassem errado, os prateados apostariam também, assim a chance de uma surpresa diminuiria. Marcação cerrada.
E na volta dos pits, Massa era o primeiro novamente, e Hamilton era o quinto. Perdeu uma posição para uma Toyota, que esteve atrás do rapaz a prova toda, pilotada por Timo Glock.
A aposta da equipe japonesa era a de manter seu piloto na pista e com isso papar duas posições, de Hamilton e Vettel que haviam feito a parada pra trocar os calçados.
Quase deu certo. Mas falo disso ali embaixo.
Na volta dos pits Vettel passou Hamilton, e as arquibancadas foram ao delírio. Comemorou-se como um gol em final de Copa do Mundo. Épico, com chuva, no Brasil, e um cenário daqueles.
Massa cruzou a linha de chegada em primeiro, e venceu. Todo mundo comemorava. Bastava esperar pelo desfecho, Glock em quarto, Vettel em quinto e Hamilton em sexto. O improvável acontecia, o inglês perdera um campeonato ganho de novo.
Pausa.
Timo Glock e a Toyota optaram por arriscar, e tentaram uma estratégia de uma parada apenas. No primeiro pit-stop o alemão calçou pneus para pista seca e gasolina para ir até o final.
Com a chuva todos pararam e Glock manteve-se firme na pista. A borracha teria de segurar o alemão no asfalto que molhado de Interlagos nas voltas finais.
Glock se arrastava, mas ainda assim virava no mesmo tempo de Trulli, na outra Toyota, que também seguia na mesma estratégia.
E na última curva, na última volta, na freada para a Junção, antes de embalar para a reta de chegada, Vettel e Hamilton alcançaram a Toyota de Glock. Alcançaram e passaram.
Drama, tragédia, a família de Massa comemorando, e família de Hamilton comemorando ao mesmo tempo, até que o lado brasileiro entendesse que Felipe não seria campeão.
O autódromo inteiro, e a multidão presente engoliram seco, e o clima deve ter se assemelhado (pois a final de 1950 eu não vi), com o famoso “silêncio ensurdecedor” de 1950, no Maracanã lotado, em que a seleção canarinho perdeu a final da Copa do Mundo em casa.
E assim foi: Hamilton campeão, Massa vice. Já diria Murray Walker: That's motoracing!

Foto: Mark Thompson/Getty Images
Eu achava que a Ferrari andaria muito bem em Xangai. Em inglês escreve-se Shangai. Pelo jeito, não era bem assim.
Durante todo o final de semana a Ferrari levou um verdadeiro passei, uma surra, e não esteve nem perto de ameaçar o domínio dos prateados.
Pior para Massa, que não teve como disputar a vitória, sofrendo mais um duro golpe em suas pretensões de ser campeão.
Melhor para Hamilton, que não foi incomodado em momento algum, levando seu carro para a vitória e os 10 pontos.
Resultado: agora 7 pontos separam Felipe de Lewis. O brasileiro e a Ferrari não dependem mais apenas de sua competência. Terão que contar também com o imponderável.
Hamilton precisa não terminar a prova entre os 5 primeiros, senão já era. E Felipe precisa vencer, e fazer 7 pontos e mais que o inglês da McLaren.
Difícil, muito difícil, mas não impossível.
Não vou falar do resto da corrida, pois foi um porre. Eu fiquei acordado me perguntando porquê...
De importante só a ultrapassagem magnífica de Alonso sobre Kovalainen, o banana no começo, e mais nada.
Piquet chegou nos pontos de novo, e Barrichello levou seu carro ao 11o lugar. Muito para quem pilota aquela charrete.
E sobre a corrida foi isso.
E segue o tradicional vídeo com os melhores momentos da corrida. Peguei um com uma trilha sonora mais de filme de aventura. Tinha outro com um som manjado do Nirvana, e este blog procura ser tudo, menos manjado.
Notem como o banana, também conhecido como Kovalainen cercou Raikkonen na primeira curva até ter certeza de que o patrão (Hamilton), tinha escapado em segurança.
E, não tem nada que me irrita mais nesse mundo do que um puxa-saco. No começo do ano cheguei a acreditar que Heikki não ia vestir a camisa de pau mandado. Vejo que me enganei.

Foto: Clive Manson/Getty Images
E mais uma vez, no meio de um verdadeiro circo, emerge a figura do espanhol Fernando Alonso, conquistando uma vitória em meio a uma turbulenta corrida disputada no asfalto de Fuji, no Japão.
Corrida turbulenta, largada movimentada. Hamilton partiu como um desesperado rumo a primeira curva, se jogando por dentro, muito além do que seria razoável, e logicamente, passando reto. Levou com ele Raikkonen, e abriu caminho para que Kubica e Alonso, bem mais calmos, partissem na dianteira.
Ainda no calor desse momento o garoto da McLaren partiu em perseguição a Piquet, que também se salvou da confusão do começo, passando o brasileiro e partindo em direção a outro brasileiro, no caso seu rival na disputa pelo título: Felipe Massa.
O inglês rapidamente encostou no brasileiro, e no S colocou seu carro por dentro na primeira perna. Massa tinha a próxima curva ao seu favor, mas estava ligeiramente atrás. Lewis alargou a trajetória e o brasileiro tocou sua McLaren. Hamilton rodou e foi parar na rabeira do pelotão. Felipe seguiu.
Voltas depois, o esperado: punição pros dois. Pra Hamilton pela lambança na largada. Não concordei. E para Massa pelo toque em Hamilton. Também não concordei.
E lá na frente Kubica liderava, com Alonso em segundo e Raikkonen (acordou?), em terceiro.
Os dois protagonistas do campeonato lá atrás tentavam se recuperar na tabela, com Massa visivelmente andando muito mais durante todo o tempo. O que se viu foi uma divertida caça do brasileiro pelos pontos.
Na ponta Alonso antecipou o primeiro pit na tentativa de passar Kubica com uma estratégia ousada. Deu certo, na volta do segundo pit-stop do polonês Alonso reassumiu a liderança e de lá não saiu mais. Venceu. E a Renault parece estar próxima de seus melhores dias. Pois Nelson Piquet ficou com o quarto lugar, fazendo uma corrida correta.
Massa veio passando Deus e o mundo, e quanto saiu de seu último pit-stop, era o 10o colocado. A partir daí perseguiu de forma implacável Nick Heidfeld da BMW, e Mark Webber da Red Bull, ultrapassando os dois e conquistando a oitava posição, e um ponto.
Teria feito mais não fosse um toque que levou de Bourdais da Toro Rosso ainda no segundo trecho da prova. Por tal manobra o francês foi punido, tendo somado ao seu tempo final mais 25 segundos. Com isso Felipe subiu mais uma posição na tabela, herdando o sétimo posto e marcando dois pontos. Está agora 5 pontos atrás de Hamilton na tabela.

Foto: Bruno Terena/Grande Prêmio
Sabe quanto tempo eu esperei pra ver uma foto dessas, batida de dentro de um carro de corrida de verdade? Pois é, a vida toda...
O clique foi de Bruno Terena, do excelente grandepremio.com.br, que bateu esta e outras fotos do carro que a Red Bull trouxe ao Brasil para uma exibição nas ruas de Brasília.
Isso: - alô amigos e amigas de Brasília, um carrinho desses vai enrugar o asfalto pelo Eixo Monumental, Esplanada dos Ministérios, Praça dos Três Poderes e cercanias, num trajeto de 3,5 km, no sábado, dia 11/10, aniversário da mamy, e véspera de feriado. (Grande coisa um feriado num domingo...)
Se eu morasse na Capital federal, não perderia isso por nada.
Na sexta-feira, o carrinho deve fazer um shake-down no asfalto do autódromo Nelson Piquet, também na Capital para ver se esta tudo funcionando. Não sei quantas voltas ele vai dar, mas eu também não perderia isso por nada.
O piloto para esta exibição será o canadense Robert Wickens, (muito prazer), de 19 anos. (Por que ninguém me chama pra uma dessas? Quando a exibição for em Lins, eu acho bom que me telefonem!).
Sobre a foto, finalizando: com o que vocês acham que eu vou sonhar essa noite? Vou passar o dia treinando meu discreto tchauzinho pra torcida...
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